Aquele era meu habitat natural, sempre confuso e tão bagunçado.
Você chegou sem pedir licença, desgovernado e disposto a me atropelar.
Seria muita modéstia sua, parar e sequer me reparar naquele lugar.
Cheio de outros bichos, tantas outras belezas tão aventureiras quanto eu.
Mas um instante depois você me viu, sei que pareci muito difícil a você.
Sou bicho de garras afiadas, e nem todos tem a ousadia de me compreender.
Mas será que você desconfiou que era apenas uma maneira de me defender?
Seu olhar instigante e o ar de desafio, me fez comportar de outra maneira.
Com algumas palavras, meu coração até então selvagem se desfez.
Eu que sempre fui bicho feroz, com essas poucas coisas me vi domesticado.
Mas você homem canalha não negou sua raça, sendo tão cruel e evasivo .
Junto com o vento se virou e me deu as costas, foi em busca de outros bichos.
Eu? Tentei esquecer que um dia você existiu.
Pois você homem robusto nem diferencia quais bichos acariciou,
mas eu, bicho faceiro, sempre lembro quem de mim cuidou!
Nenhum comentário:
Postar um comentário