“- Uma boa influência é coisa que não existe, Mr. Gray. Toda a influência é imoral, imoral sob o ponto de vista científico.
- Por quê?
- Porque exercer a nossa influência sobre alguém é darmos a própria alma. Esse alguém deixa de pensar com os pensamentos que Lhe são inerentes, ou de se inflamar com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são reais. Os seus pecados - se é que os pecados existem – são emprestados. Tal pessoa passa a ser o eco da música de outrem, o ator de um papel que não foi escrito para si. O objetivo da vida é o nosso desenvolvimento pessoal. Compreender perfeitamente a nossa natureza – é para isso que estamos cá neste mundo. Hoje as pessoas temem-se a si próprias. Esqueceram o mais nobre de todos os deveres: o dever que cada um tem para consigo mesmo. É certo que não deixam de ser caritativos. Dão de comer aos que têm fome e vestem os pobres. Mas as suas almas andam famintas e nuas. A coragem desapareceu da nossa raça. Ou talvez nunca a tivéssemos tido. O temor da sociedade, que é a base da moral, o temor de Deus, que é o segredo da religião - eis as duas coisas que nos governam. E, contudo (...) se um homem devesse viver a sua vida em toda a plenitude, dar forma a todos os sentimentos, expressão a todos os pensamentos, realidade a todos os sonhos, creio que o mundo ganharia um novo impulso de alegria que nos levaria a esquecer todos os males do medievalismo e a regressar ao ideal helênico. Talvez mesmo a algo mais refinado e mais rico que o ideal helênico. Mas o mais ousado de todos nós teme a si mesmo. O selvagem mutilado que nós somos sobrevive tragicamente na auto-rejeição que frustra as nossas vidas. Somos punidos pelas nossas rejeições. Todo o impulso que esforçadamente asfixiamos fica a fermentar no nosso espírito, e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e mais não precisa, pois a ação é um processo de purificação. E nada fica, a não ser a lembrança de um prazer, ou o luxo de um pesar. Ceder a uma tentação é a única maneira de nos libertarmos dela. Se lhe resistimos, a alma enlanguesce, adoece com as saudades de tudo o que a si mesma proíbe, e de desejo por tudo o que as suas leis monstruosas converteram em monstruosidade e ilegalidade. Diz-se que as grandes realizações deste mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e só aí, que ocorrem os grandes erros do mundo.”
domingo, 26 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Tenho tido tantas noites mal dormidas, ou dormidas com ajuda de calmantes que já não faz diferença o dia de amanhã. Também tenho olhado a caixa de email com frequência, o celular, ou todas aquelas contas idiotas em redes sociais. Eu sempre tenho comigo aquela coisa idiota chamada esperança. Não, eles não vão ligar, e eles também não irão perceber o que se passa comigo. E é tão ... como é que dizem por aí? Algo meio ligado a solidão, a solidão de se conformar em ser só um. Deve acontecer com todo mundo, eu quero acreditar que é assim, e não venha me contradizer.
Não quero ninguém por perto, e deixo isso bem claro! Mas cadê as pessoas ousadas? Aquelas que poderiam se sentar ao meu lado e me dizer com toda a calma qualquer coisa bonita, qualquer detalhe que mostrasse como elas se importam e até gostam de mim?
Ninguém virá!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Para onde? Com quem? Para fazer o que?
Estou sempre pronta para partir. E não me importa o não entendimento das pessoas. Elas ousam repetir as mesmas perguntas, e a resposta é que nem eu mesma sei.Não sei o que me espera, não sei se sou forte para arriscar tanto assim, não sei para onde ir, e nem mesmo sei o custo dessa minha vontade. Mas sei que preciso ir !
Minha felicidade tão utópica, parece estar sempre onde eu não estou. Acho que por isso estou sempre querendo ir embora. Ou será que ela sempre esteve comigo, e eu vivo fugindo dela? Não! Seria muito egoísmo da minha parte, não dividir espaço com ela. Eu não devo ser assim.
Porque estou tentando fugir? Eu não quero fugir, eu quero ir!
Sim, eu sei que todos estão crescendo, não precisa gritar, eu também quero isso. E é o que me impulsiona a seguir! Estive tanto tempo por aqui, e agora só quero sair.
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